Você pode trazer um conto inacabado, algumas páginas de um romance, uma ideia que ainda não sabe como desenvolver ou apenas um desejo de escrever. A gente põe a mão no texto desde a primeira aula.
Se um diálogo parece artificial, vamos trabalhar nele. Se uma personagem não convence, investigamos o que ela quer, o que a faz agir e o que está faltando. Lemos, fazemos exercícios, testamos outras ve...
Você pode trazer um conto inacabado, algumas páginas de um romance, uma ideia que ainda não sabe como desenvolver ou apenas um desejo de escrever. A gente põe a mão no texto desde a primeira aula.
Se um diálogo parece artificial, vamos trabalhar nele. Se uma personagem não convence, investigamos o que ela quer, o que a faz agir e o que está faltando. Lemos, fazemos exercícios, testamos outras versões e observamos o que muda.
Minha metodologia foi desenvolvida ao longo de anos trabalhando com escrita, leitura crítica e ensino. Ela tem como referência nove domínios da escrita criativa:
1. Concepção e organização da obra como projeto: dar forma às suas ideias, descobrir o que deseja contar, escolher o que realmente importa e aprender a organizar seu projeto sem engessar a criação.
2. Construção de personagens e relações ficcionais: compreender o que move uma personagem, seus desejos, medos e contradições. Explorar também suas relações com os outros e como essas relações influenciam suas escolhas e comportamentos.
3. Construção de mundo: criar a realidade em que sua história acontece. Lugares, costumes, valores, regras e possibilidades que influenciam a vida das personagens, seja num bairro conhecido de sua cidade ou num universo inteiramente inventado. Ou seja, seja fantástico ou não.
4. Pesquisa orientada pela obra: aprender a investigar aquilo de que sua história realmente precisa. Formular perguntas, buscar informações, selecionar o que importa e descobrir como transformar o material pesquisado em literatura.
5. Construção do enredo e arquitetura dos acontecimentos: compreender por que as coisas acontecem na sua história, como decisões provocam consequências e como os conflitos se desenvolvem. Aprender a organizar os acontecimentos e as partes da narrativa.
6. Mediação narrativa: descobrir como sua história chega ao leitor. Quem narra? O que essa voz sabe? O que deve ser revelado, escondido ou deixado para depois? Como essas escolhas modificam a experiência de quem lê?
7. Construção de cena: aprender a transformar situações em cenas que funcionem. Trabalhar ações, reações, diálogos, silêncios e subtextos, compreendendo o que cada cena acrescenta à história.
8. Voz e linguagem: explorar as possibilidades da palavra. Trabalhar ritmo, imagens, frases, sonoridade e escolhas de linguagem, descobrindo como dar ao texto uma expressão própria, coerente com aquilo que você deseja escrever.
9. Avaliação crítica, reescrita e consolidação da autonomia: aprender a se distanciar do próprio texto, reconhecer suas qualidades e dificuldades, compreender comentários críticos e experimentar novas soluções. Mais do que corrigir, desenvolver segurança para fazer suas próprias escolhas.
Mas esses nove domínios são apenas uma parte do método. Vamos acessá-los à medida que sua história pedir, explorando as relações entre eles e compreendendo o que acontece quando fazemos determinadas escolhas.
Nas aulas, trabalhamos com exemplos, trechos de obras literárias, exercícios e seus próprios textos. Uma mudança no ponto de vista pode transformar uma cena inteira. Um diálogo aparentemente ruim pode revelar um problema na construção da personagem.
O que considero muito importante e trabalharemos: a formação do olhar de escritor.
Vamos aprender a observar pessoas, comportamentos e situações com mais atenção, perceber contradições, suspender o julgamento imediato e enxergar possibilidades onde antes talvez não víssemos nenhuma. Também vamos aprender a ler como escritores. Não apenas gostar ou não de um texto, mas perguntar: como isso foi construído? Por que o autor fez essa escolha? Que efeito ela produz? O que aconteceria se fosse diferente?
Mais do que ensinar técnicas, quero que nossas aulas ampliem sua maneira de olhar para o mundo, compreender a literatura e descobrir o que significa, afinal, ser escritor.
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